🔧 Sobreaquecimento do motor: causas menos óbvias e métodos de diagnóstico eficazes


O que fazer e como resolver

O sobreaquecimento do motor continua a ser uma das ocorrências mais críticas em viaturas ligeiras e comerciais. Para além dos danos imediatos — empeno de cabeça, deterioração da junta e perda de compressão —, o problema pode comprometer a fiabilidade de todo o conjunto mecânico.
Embora o sistema de arrefecimento seja aparentemente simples, a origem de uma elevação anormal de temperatura nem sempre está associada ao radiador ou à falta de líquido. Existem fatores menos evidentes que, quando analisados com precisão, permitem resolver a causa real e evitar substituições desnecessárias.


1. Válvula termostática

A válvula termostática é responsável por regular o fluxo do líquido de arrefecimento entre o motor e o radiador. Um travamento parcial ou atraso na abertura pode gerar zonas de calor localizado, provocando variações bruscas de temperatura e sobreaquecimento intermitente.
Recomenda-se testar a sua abertura num banho térmico ou com termómetro infravermelho, verificando a temperatura de início e fim de curso conforme especificações do fabricante.


2. Bomba de água

O desgaste do rotor, a folga no veio ou a presença de bolhas de ar podem reduzir a pressão de circulação, mesmo que o componente não apresente fugas visíveis.
A análise deve incluir a verificação do ruído do rolamento, inspeção de folga axial e controlo da pressão gerada em regime de funcionamento. Em alguns casos, a substituição preventiva é recomendada após reconstrução de motor ou intervenção profunda no circuito.


3. Tampa do vaso de expansão

Elemento frequentemente negligenciado, a tampa é essencial para manter a pressão interna adequada.
Uma mola enfraquecida ou vedação danificada pode permitir a ebulição precoce do líquido, originando perdas de fluido e aumento progressivo da temperatura. A verificação deve ser feita com equipamento de ensaio de pressão específico, comparando o valor de abertura com o especificado (geralmente entre 1,0 e 1,4 bar). Inclusive, ja ocorrido por algumas vezes, tampas que não são as originais, podem levar também a pressões erradas.


4. Sensor de temperatura e comando da ventoinha

Um sensor com leituras imprecisas pode atrasar o acionamento da ventoinha ou limitar o controlo da ECU sobre o sistema.
O teste com multímetro ou scanner OBD permite identificar valores fora da curva de resistência.
A ventoinha deve igualmente ser testada em carga e verificado o estado do relé de comando.


5. Mistura incorreta de líquido de refrigeração

O uso de água sem aditivos, ou a mistura de líquidos incompatíveis, conduz à formação de depósitos e oxidação interna.
O resultado é a redução da condutividade térmica, entupimentos no radiador e degradação das vedações.
A composição deve respeitar a proporção de anticongelante recomendada (geralmente 50/50) e ser substituída a cada 2 a 3 anos, de acordo com as normas do fabricante do motor.


6. Permutador de calor e contaminação por óleo

Nos motores equipados com permutadores óleo-água, fissuras internas podem permitir a mistura dos dois fluidos.
A presença de resíduos oleosos no vaso de expansão é um indicador claro de contaminação.
O circuito deve ser limpo com produtos próprios e o permutador substituído para não haver dúvidas.


Métodos de diagnóstico recomendados

Um diagnóstico técnico completo deve incluir:

  • Teste de CO₂ no vaso de expansão para deteção de gases de combustão no sistema;
  • Teste de pressão do circuito e tampa;
  • Verificação térmica por termómetro infravermelho para identificar zonas de calor localizado;
  • Avaliação do fluxo de líquido de arrefecimento com motor em regime;
  • Verificação do acionamento da ventoinha via scanner OBD;
  • Purga adequada do sistema após qualquer intervenção.

Boas práticas e manutenção preventiva

  • Utilizar sempre o líquido de refrigeração homologado.
  • Evitar misturas de marcas ou cores distintas.
  • Substituir a válvula termostática e a bomba de água em conjunto com a distribuição, quando aplicável, bem como o permutador de óleo.
  • Inspecionar mangueiras, braçadeiras e tampas a cada revisão.
  • Após reparações da cabeça/culassa, realizar teste de pressão antes da entrega.

Estas medidas reduzem significativamente o risco de reincidência de sobreaquecimento e contribuem para a durabilidade do conjunto motor.


Conclusão

O controlo térmico eficiente é um dos pilares da fiabilidade mecânica.
Compreender as causas menos evidentes do sobreaquecimento e aplicar métodos de diagnóstico sistemáticos permite às oficinas aumentar a taxa de acerto e otimizar o tempo de intervenção.
Um motor devidamente mantido e um circuito de arrefecimento equilibrado representam não apenas desempenho e segurança, mas também a reputação técnica de cada profissional.


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